sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Retalhos da vida de um trombonista
Naquela triste e chuvosa manhã, V. foi para o seu emprego. Partituras para ler, gravações para ouvir, boca no trombone para botar... Sentia-se deprimido. Ninguém o compreendia. Todos o atacavam. Que maçada, ter de ir, outra vez, dar um concerto naquela sala de espectáculos em que era, sistematicamente, vaiado de pé. Mas será que nesta terra ninguém trabalhava, para não ter nada melhor que fazer que assistir aos seus concertos? Não nascera para a música. Não tinha instrumentos de sopro à sua disposição, que lhe permitissem satisfazer o que dele exigiam. Sonegavam-lhe partituras, ou gravações para estudar as peças que tinha de tocar. E todos o atacavam, por ser desafinado. Triste sina, que nem um salário 23 vezes superior ao rendimento per capita atenuava. Era dura, a vida do trombonista...
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