quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Como diria o Sérgio Godinho...

... dia 16 é o primeiro dia do resto da minha vida...
Já não sei onde li isto... Anda para aí tanta gente a perguntar-se se há vida depois do Doutoramento. E durante, há? hmmm?
Mais uns dias e logo vejo. Ou não.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Retalhos da vida de um trombonista

Naquela triste e chuvosa manhã, V. foi para o seu emprego. Partituras para ler, gravações para ouvir, boca no trombone para botar... Sentia-se deprimido. Ninguém o compreendia. Todos o atacavam. Que maçada, ter de ir, outra vez, dar um concerto naquela sala de espectáculos em que era, sistematicamente, vaiado de pé. Mas será que nesta terra ninguém trabalhava, para não ter nada melhor que fazer que assistir aos seus concertos? Não nascera para a música. Não tinha instrumentos de sopro à sua disposição, que lhe permitissem satisfazer o que dele exigiam. Sonegavam-lhe partituras, ou gravações para estudar as peças que tinha de tocar. E todos o atacavam, por ser desafinado. Triste sina, que nem um salário 23 vezes superior ao rendimento per capita atenuava. Era dura, a vida do trombonista...

sexta-feira, 28 de março de 2008

Antigamente os vivos não morriam

Por vezes, dou por mim esmagado por algo que, de tão belo, tem mesmo de ser partilhado.
Deixo-vos uma capa, um pequeno excerto de um conto, e um convite...

"Tenho os olhos cheios de estórias, como os meus olhos estão cheios de mundo. Quero falar-te deste mundo com o meu corpo aqui sentado – enquanto este lume, onde nós somos, é uma vida a fazer um brilho e uma memória, tão fortes como as figuras que se transformam e multiplicam diferentemente por estas brasas e que passam pelos olhos, atentos, de todas as gerações.
Senta-te aqui junto ao nosso quente e ao vento que oiço por baixo dos nossos pés (e que vem acolá daquelas frinchas) e à parede que escorre uma caliça humilde.
Senta-te aqui, querida neta, a ouvir as histórias como o meu bisavô Celerino ouviu do seu pai e do seu avô e do seu bisavô e o seu bisavô do seu bisavô. Os grandes homens ouvem as estórias. Depois, entregam-nas ao mundo. Só assim o mundo fica mágico e mais sábio. E completo.
Senta-te, querida neta, neste meu amor que é o amor pelo mundo a despontar a beleza arrancada à terra que vem cheia de raízes. Tanta raiz a crescer no corpo. Tanta raiz que é do corpo. O corpo é da terra e só a ela lhe pertence. A terra dá estórias ao mundo, para sempre, estórias de verdade, como esta que começa assim para ti:
Antigamente os vivos não morriam, querida neta. Não havia morte, diziam os antigos."

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